Pesquisa revela: maioria prefere ser autônomo, mas vínculo formal ainda garante mais direitos e segurança
Uma matéria divulgada recentemente pelo Jornal A Hora aponta uma tendência preocupante para o mercado de trabalho brasileiro. Segundo o levantamento, seis em cada dez brasileiros preferem trabalhar por conta própria, mesmo sem carteira assinada ou garantia de direitos trabalhistas.
O número revela o impacto da insegurança econômica e da falta de oportunidades formais, empurrando muitos para o trabalho informal ou autônomo. Entretanto, os dados também mostram que a carteira assinada continua sendo fundamental, especialmente entre as camadas da população mais vulneráveis.
De acordo com a pesquisa, 68% dos jovens entre 16 e 24 anos afirmam preferir ser autônomos, número que cai para 48% entre os trabalhadores com mais de 60 anos. Além disso, as mulheres e os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos são os que mais reconhecem a importância do emprego formal e dos direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A realidade também mostra que o trabalho autônomo nem sempre representa liberdade ou maior renda. Dados do IBGE revelam que os trabalhadores por conta própria chegam a trabalhar, em média, 45,3 horas por semana, enquanto os empregados com carteira assinada cumprem jornadas médias de 39,1 horas. Mesmo assim, a renda mensal dos autônomos gira em torno de R$ 2.682, inferior à média de R$ 3.105 registrada entre quem tem carteira assinada.
O cenário reforça a importância da defesa dos direitos trabalhistas e da valorização do emprego formal no comércio. “O discurso da autonomia e da flexibilidade muitas vezes esconde a precarização e a falta de segurança. A CLT existe para proteger o trabalhador e garantir condições mínimas de dignidade, principalmente para quem está na base da economia, como os trabalhadores do comércio”, destaca Marco Daniel Rockenbach, presidente do Sindi Comerciários Lajeado.
Apesar do apelo da informalidade, é o vínculo formal que assegura o acesso a benefícios como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, descanso semanal, licenças e aposentadoria. Sem falar na maior previsibilidade de renda, essencial para o planejamento familiar e a qualidade de vida.
O Sindicato dos Comerciários de Lajeado segue mobilizado em defesa dos trabalhadores do comércio, pela manutenção e ampliação de direitos, e alerta para os riscos de um mercado de trabalho cada vez mais informal e sem garantias. É preciso gerar oportunidades, mas com responsabilidade e respeito ao trabalhador. Não podemos romantizar a informalidade enquanto milhões perdem acesso à proteção social básica.